19 de fevereiro de 2016

ECONOMIA & MERCADOS

Desafios para os confeccionistas

Vamos destacar nesta coluna os desafios do momento econômico para os empresários do polo de confecções.

Crescimento econômico negativo

Diante de um cenário onde a previsão de retração do PIB para 2016 é de -3,5%, salientando que o consumo de vestuário no varejo em 2015 foi de 8,6% menor que o ano de 2014, com previsão para este ano de quedas nas vendas, estamos diante de uma retração do consumo, onde naturalmente as vendas no atacado devem cair, o confeccionistas deve ser cautelo nas compras, se adaptar ao volume de vendas do mercado, planejar estratégias e agir para tornar o cenário comercial menos ruim e não assumir compromissos financeiros alto.

Inflação acima da meta

A inflação deve ficar acima do teto da meta de 6,5% este ano, estima-se 7,6%, conseguir repassar estes custos para os produtos vai ser o grande desafio do confeccionista, com oferta maior que a demanda, quem determina preço é o mercado, portanto, muitos confeccionistas não conseguiram repassar a inflação de 2015 que foi de 10,7%, diminuindo assim sua margem de lucro. A alternativa é aumentar a produtividade, diminuindo custos sem comprometer a qualidade ou aumentar volume de produção, caso consigo aumentar a demanda, algo complicado pois com inflação alta o poder aquisitivo dos consumidores cai, diminuindo a demanda.

Dólar acima de 4 reais

A previsão do mercado é que o dólar deve chagar ao final de 2016 a R$ 4,20, com a alta do dólar nossos produtos tornam-se mais competitivos frente aos produtos importados, pode ser uma oportunidade de aumento do mercado interno e para algumas empresas com estrutura comercial poder pensar em exportar. Portanto, boa parte da matéria-prima, tecidos e acessórios, que compõe os produtos confeccionados no polo de confecções são importados, sofrendo um reajuste nos preços devido a alta do dólar, neste caso o confeccionistas terá que repassar esse aumento para os preços, como vimos anteriormente não será nada fácil no mercado onde a oferta é maior que a demanda.

Perspectiva

As perspectivas econômicas, políticas e climáticas não são nadas favoráveis a retomada do crescimento da economia. Quando a população não tem perspectiva de crescimento econômico retraem o consumo e os investimentos. Ficam mais cautelosos, os grandes investidores buscam mercadores mais conservadores e o capital produtivo e especulativo são retirados do país. Com perspectiva baixa o consumo de vestuário diminui, os varejistas compram menos e toda a cadeia têxtil e vestuário é afetada.

Famílias endividadas e juros mais altos

O incentivo ao crédito foi uma das bandeiras para o crescimento econômico nos últimos anos, mais crédito, mais consumo e mais investimento. O brasileiro tem pouca disciplina financeira e o resultado foi o endividamento das famílias e um recorde de negativação no Serasa. Sem crédito o consumo diminui, parte da renda está comprometida com as contas a pagar e consequentemente as políticas de créditos estimuladas pelo governo nos últimos dias tem pouca eficiência, afetando todo setor da economia.

Diante deste cenário, cabe ao confeccionista do polo de confecções ajustar os custos, aperfeiçoar os recursos, aumentar a produtividade, inovar, buscar novos mercados, traçar novas estratégias. De fato ocorre uma seleção natural no mercado, muitas empresas devem fechar as portas por falta de capacidade de gestão eficiente e eficaz diante do cenário, quem sobreviver terá um mercado maior na retomada do crescimento econômico com menos concorrente, segundo os especialistas a retomada do crescimento acontecerá em 2018 se as medidas necessárias forem tomadas pelo Governo.


Sérgio Ramos- Diretor da Máximo Consultoria e Professor Universitário

Mestre em Economia

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