23 de março de 2016

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES (IM)PERTINENTES

Consideração um: na Idade Média, a Igreja mantinha uma relação tão intrínseca com o Estado, que praticamente um era o outro na imposição de suas regras à “arraia miúda”.

Consideração dois: com a percepção de que o ser humano deveria ser respeitado em seu livre arbítrio, do ponto de vista espiritual (além de outras questões, que não vêm ao caso, aqui), promoveu-se a separação entre a Igreja e o Estado, garantindo-se (ou procurando fazê-lo) a liberdade religiosa.

Consideração três: o Brasil manteve até 1891 o conceito de “religião oficial” (o Catolicismo), embora, desde 1824, permitia-se, constitucionalmente, a liberdade de crença, e, a partir de 1890, por Decreto, a liberdade de culto.

Consideração quatro: pela Constituição de 1891, o Brasil assumia a condição de Estado laico, isto é, deixava de existir, pela Lei Maior, uma religião oficial, única.

Consideração cinco: mesmo assim, ao longo do século XX, e até hoje, o Estado determina certos dias “feriados”, em consonância com datas comemorativas da Igreja Católica, o que “obriga” o não-católico a homenagear (através da guarda desse dia) algo em que não acredita ou com que não concorda.

Consideração seis: por que ninguém reclama disso, nem os não-católicos? Porque, antes da palavra “religioso”, vem a palavra “feriado”.

Consideração sete: o Estado que se diz laico e que prega, em sua Carta Magna (Art. 19, Inciso I), que “É vedado (...) estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los (...) ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança”, isenta igrejas de pagar impostos (no que se constitui uma forma de subvenção).

Consideração oito: ainda considerando o exposto no Artigo citado acima, por que, por exemplo, uma instituição laica ou uma pessoa não-adventista do sétimo dia, deve adequar seu planejamento em função de quem acredita não ser permitido realizar determinadas ações em um dia específico? Dicotomizam-se, aqui, dois princípios que urgem ser indissociáveis: liberdade e responsabilidade. Tenho liberdade para professar a fé que eu achar que devo, mas devo arcar com a responsabilidade dessa escolha, e não forçar os outros a se adequarem a minha opção. Se eu boto na minha cabeça que não devo jamais chutar objeto algum, é insensato querer jogar como zagueiro numa partida de futebol, e brigar para que eu possa ter o direito de usar somente as mãos.

Consideração nove: nesta semana, a que chamam de santa, há quem deixa de comer, e, ao se alimentar, não ingere carne, em cumprimento ao quarto mandamento da Igreja Católica (“Jejuar e abster-se de carne”); até aí, tudo bem – devemos ser tolerantes, não é esta a moda midiática do momento? O problema é quando os jejuadores e abstêmios de carne não são tão tolerantes assim com quem, como eu, opta por não cumprir esse dogma, e não abre mão de uma suculenta picanha, nesta sexta-feira, por exemplo. “Não pode comer carne!”, vociferam. Só peixe!

Consideração final: PEIXE É VEGETAL, por acaso?!

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