31 de março de 2016

GOLPISTAS E NÃO GOLPISTAS, UNI-VOS!

         
Sempre é importante lembrar que somos o intervalo entre um passado que não volta mais e um futuro que ainda não chegou, portanto somos o presente que se projeta para o futuro com vistas ao passado, claro, para aqueles que se preocupam em revitalizar a memória como instrumento para a ação. “Tomo meus desejos por realidade, pois acredito na realidade dos meus desejos” assim dizia um slogan de maio de 1968. E não vejo melhor forma de perceber o Brasil agora, se não por essa perspectiva, isto é, aquilo que muitos desejam está se tornando o pesadelo de muitos que não querem que esse desejo se realize, e é muito importante controlar a vontade frente ao desejo que é impulsivo e muitas vezes voraz.
         Não se pode pegar uma crise de proporções abissais como a que passamos hoje e querer apenas com o desejo que nos move resolver como num passe de mágica o problema político e o econômico. Tem pessoas tão sonhadoras que imaginam que, caso o golpe perpetrado contra a Presidente legitimamente eleita Dilma Rousseff seja levado a cabo e ela saia de cena, no outro dia o Brasil vai estar com, juros baixos, inflação cem por cento sobre controle, a malha urbana estará reestruturada e a malha viária recuperada, a educação será melhor que a finlandesa, a saúde vai ultrapassar a cubana e a vida no Brasil vai ser estágio obrigatório para quem vai para o céu. O Brasil está sonhando mais que de costume.
         Ora, caros amigos, não podemos nos dar ao desfrute de entender que desejos devem ser superiores a nossa vontade, é preciso cautela com a vontade sobre o que desejamos, até mesmo as redes sociais viraram não mais redes de conexão entre pessoas, mas sim, verdadeiras arenas pós-modernas, onde quem está de um lado coloca suas opiniões e quem está do outro faz o mesmo, até ai nenhum problema, o problema é que está sendo travada uma verdadeira guerra virtual, entre os que estão a favor do golpe, e os que atestam que não há golpe nenhum, palavras como: terrorismo, nazismo, fascismo, e tantas outras nessa linha estão sendo usadas a esmo, e muitos daqueles que se utilizam desses termos se quer sabem do que se trata, portanto vira uma agressão descabida que pode deslanchar em conflitos maiores fora do mundo virtual.
         Há muito tempo pessoas inteligentes discutem ideias e essas por sua vez se tornam novas possibilidades, para o bem ou para o mal. A queda do Brasil começou desde que o Estado compreendeu o modelo Neoliberal como aquele que devia ser seguido, e, portanto a partir daí como falei em colunas anteriores, o que vale não é pessoas, é o mercado, e quem discutia ideias agora discute o mercado. As redes sociais estão em guerra, o Brasil está um barril de pólvora com o rastilho prestes a ser aceso, esse que vos escreve inclusive foi chamado em grupos de whatsapp de petista, petralha e canalha. Não sou canalha por que não sou dado a perca de valores, não sou petralha por que nunca fui petista, e se tivesse sido nem todo petista é petralha. E pra falar a verdade, caso eu fosse filiado a algum partido, é bem provável que o nome dessa coluna não seria Liberdade de Expressão. No mais fica o dito para ser reescrito e ponto final.

P.S.

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