24 de março de 2016

JESUS CRISTO HOMEM SANTO, POLÍTICO E LIBERTADOR!

Quando Jesus tinha mais ou menos quatro anos, morreu Herodes, o rei da Palestina, aquele que matou as crianças de Belém. Naquela ocasião, o reino dele foi dividido entre os filhos. Arquelau, um dos filhos, recebeu o governo sobre a Judéia, no Sul. Ele era menos inteligente que o pai, mas mais violento só na tomada de posse dele, foram massacradas em torno de 3000 pessoas na praça do Templo! Governou dez anos e foi deposto pelos romanos por incompetência. A Galiléia, do Norte, a terra de Jesus, ficou para outro filho de Herodes, chamado Herodes Antipas, aquele que matou João Batista. Este Antipas permaneceu mais de quarenta anos no governo. Durante todos os trinta e três anos que Jesus viveu, nunca houve mudança de governo na Galiléia! Foi sempre o mesmo Herodes Antipas que governou.
Quem mandava mesmo na Palestina, desde 63 anos antes de Cristo, era Roma. Ele comandava o Império, por isso, Herodes Antipas, para não ser deposto como o irmão Arquelau, procurava agradar a Roma em tudo, Insistia, sobretudo numa administração eficiente que desse lucro ao Império e reprimisse qualquer tipo de subversão. A preocupação dele não era o bem do povo, mas sim a própria promoção. Gostava de ser chamado benfeitor do povo. Na realidade era um explorador. Três coisas marcavam a política de Herodes e tiveram consequências profundas na vida do povo da Galiléia do tempo de Jesus:

1 - A Nova Capital. A Bíblia não fala, mas a história informa que Herodes Antipas construiu uma nova capital, chamada Tiberíades, para ser o novo centro econômico da Galiléia. Chamou assim em honra a Tibério, o imperador de Roma.

2 - A Classe dos funcionários. Ao longo daqueles quarenta anos de governo de Herodes Antipas, criou-se na Galiléia toda uma classe de funcionários fieis ao projeto do rei.

3. O Latifúndio. Durante o governo de Antipas cresce o latifúndio em prejuízo das pequenas produções agrícolas da Galiléia e começa a orientar-se não mais a partir das necessidades das famílias como antes, mas a partir das exigências do mercado.

Neste novo sistema não havia defendido nem previdência para o povo. Em caso de doença, má colheita, pragas ou outros desastres, o povo ficava sem ajuda.

Vivendo nesse cenário surge um homem que transfigura suas ideias em ação, frente aos opressores da época, JESUS. Estas mudanças desintegravam a vida do povo e só faziam aumentar a saudade dos bons tempos antigos, quando todos ainda se preocupavam com o bem-estar de todos.

Esta situação transparece nas parábolas de Jesus. Por exemplo, o dono de terra que exige mais do que pode e deve os trabalhadores desempregados à espera de um biscate. O patrão que mora longe e deixa tudo entregue ao caseiro. O povo que vive cheio de dívida, ameaçado de ser escravizado. O desespero e a exploração que corrompem e levam o pobre a assaltar e a explorar o próprio companheiro. A insegurança das estradas por causa dos assaltos. Funcionários corruptos que se enriquecem com os bens dos outros. Riqueza que ofende os pobres. Jesus sabia o que se passava no país!

Após trinta anos de vida escondida em Nazaré, Jesus se apresenta ao povo com a sua mensagem. Em Nazaré, ele tinha convivido longos anos com os agricultores da Galiléia, explorados pelo sistema dos impostos herdado dos persas e dos gregos e pelo latifúndio criado pelos romanos. Ele mesmo era carpinteiro. Enquanto crescia em sabedoria, idade e tamanho diante de Deus e dos seres humanos, assistia às explosões de violência tão comuns na Galiléia, à progressiva organização dos Zelotes, à transferência da capital do seu país para Tiberíades, às tentativas infrutíferas dos romanos para reduzir à obediência a o povo rebelde da Galiléia.

Apresentando-se aos discípulos como Filho do Homem, Jesus assume como sua esta missão que é a missão de todo o Povo de Deus. É como se dissesse a eles e a todos nós: “Venham comigo! Esta missão não é só minha, mas é de todos nós! Vamos juntos realizar a missão que Deus nos entregou, e realizar o Reino humano e humanizador que ele sonhou!” E foi o que ele fez e viveu durante toda a sua vida, sobretudo, nos últimos três anos de sua existência.  
                                           
JOSÉ DALVINO – CIENTISTA SOCIAL

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