17 de março de 2016

PT UMA ESPERANÇA DESTRUIDA

O PT nasceu enquanto expressão dos movimentos sociais, contestador do sistema socioeconômico enraizado historicamente na sociedade brasileira; crítico da política eleitoralista, clientelista e populista e do ranço autoritário que permeia o tecido social. Por outro lado, o PT exprimia a crítica à concepção de partido de quadros revolucionário, própria da esquerda ortodoxa marxista-leninista.

O PT não nasceu socialista, nem muito menos revolucionário. Porém, desde os primeiros momentos, assumiu a crítica ao socialismo autoritário vinculado às experiências do Leste europeu e da Ex - URSS. Nesse sentido, o PT representa a síntese possível entre as diferentes tradições presentes na esquerda brasileira, os novos elementos oriundos dos movimentos sociais da década de 1970/80, a contribuição de militantes cristãos da Teologia da Libertação e intelectuais independentes.

O PT contestador deu lugar ao PT integrado à ordem; a utopia cedeu ao pragmatismo, rebatizado como realismo político a defesa de uma política de classe independente foi substituída pela política de alianças com os partidos e forças políticas historicamente situadas no campo oposto ao petismo; a generosa promessa do PT enquanto uma nova forma de fazer política foi negada pela transformação dos meios e dos fins: ganhar o governo federal passou a ser a estratégia principal, e o meio escolhido expressou a negação dos princípios que deram origem ao PT; a conquista do governo, amparado num amplo leque de alianças políticas e no discurso positivista, revelou-se um projeto econômico e político conservador; a governabilidade passou a ser o novo objetivo e, em nome dela, os meios adotados revelaram-se uma armadilha.

O PT do passado se fez paladino da ética na política; o PT do presente se vê enredado num dilúvio de denúncias que envolvem seus principais dirigentes, as quais sepultam sua pretensão moralista. Maquiavel ensinou que ética e política expressam dimensões diferentes da ação humana.

Não que a política possa prescindir da ética! Tolos os políticos que descuidam dos valores morais e religiosos presentes na sociedade. Porém, não é menos tolice acreditar que o ideal moralista da honestidade e dos indivíduos incorruptíveis é patrimônio da esquerda. Ao abraçar o discurso da ética na política de maneira dicotômica e maniqueísta, direita e esquerda, o bem versus o mal, os militantes sinceramente éticos se desarmaram e se surpreendem quando a lama avança sobre os seus próprios pés e ameaça tragá-los.

Lembro-me do ano de 2001, quando ingressava na Faculdade de Ciências Sociais, período que estava no auge da introdução do PT na governabilidade do País. Tudo culminava para um novo capitulo para a recém republica brasileira. Todos os discursos dos mestres em ciências políticas  e econômicas nos conduzia a interpretar o PT como a esperança tão sonhada e desejada pelo povo brasileiro. Eu, como tantos outros me emocionava ao ver que estávamos fazendo parte de um processo histórico da POLÍTICA do nosso País. LULA representava a esperança de uma nação. Lembro, que não só votei em LULA, mas abracei uma causa, lutei nos grêmios acadêmicos da própria faculdade por um ensino mais justo e democrático.

Incentivado pelo espírito libertador que visualizada em LULA, lutei contra um reitor universitário que ditava as regras da universidade, que tornava a vida dos estudantes de outras cidades um caos tomando atitudes sem a  legitima contemplação do quadro docente. Me puz de fronte ao homem mais poderoso da universidade em contestação as sua decisões. Tudo isso incentivado e motivado por uma esperança de liberdade, LULA.

Hoje só lamento! O PT das origens está morto! Metaforicamente ele sobrevive nas mentes e corações de uma geração envelhecida pelo tempo mas que mantém viva a utopia que alimentou os sonhos e esperanças. Nem, me refiro aos que ocupam cargos e posições na máquina partidária e no Estado, mas sim àqueles que fizeram da sua militância a razão do viver, e acreditaram sinceramente que realizavam a utopia em cada vitória eleitoral, em cada atitude da luta política cotidiana.
                                 
JOSÉ DALVINO – CIENTISTA SOCIAL

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