20 de abril de 2016

EX-CRAQUE DO YPIRANGA AGORA É SAUDADE

Faz parte de um passado já remoto aquele domingo de julho de 1950. Eu ainda pixote, com meus 10 anos da idade, encostava-me no balcão da loja de Braz de Lira, na então Av. Manuel Borba, hoje Padre Zuzinha, para acompanhar pelo rádio a decisão da Copa do Mundo. O possante receptor da marca Philips, de quatro válvulas, movido a bateria, com o som indo e voltando, era um dos poucos existentes em Santa Cruz, naquela época, quando a população da ainda vila de Taquaritinga do Norte girava em torno de duas mil pessoas. Logo em frente um grupo enchia a casa que servia de morada para Otávio Limeira Alves, uma pessoa muito querida em Santa Cruz.

Fundador do Ypiranga, do qual tinha sido jogador, Otávio vivia prostrado numa cama por causa de uma paralisia, felizmente, cercado do carinho dos amigos. Lá também havia um enorme rádio, através do qual a turma acompanhava naquela tarde domingueira as peripécias de Augusto, Danilo, Friaça, Maneca, Bigode, Jair, do pernambucano Ademir etc. No meu canto, na loja de Braz, conversava com Totonho, o gerente, interessadíssimo no jogão. A falta de informação, matéria bastante escassa naquela época de vacas magras, fizera com que só naquele dia eu tomasse conhecimento da grande decisão. Copa do Mundo? Isso nunca havia passado pela minha mente. As explicações me eram passadas por Totonho, a quem eu admirava como centroavante, dos bons, já surgindo entre os marmanjos do Ypiranga, depois de ter mostrado sua habilidade no “time dos meninos”. Ele e o irmão Toinho – o Toinho de Zé Néu – nasceram como craques, só não foram em frente porque o tempo era outro. Não havia os empresários nem os olheiros dos nossos dias.

Deixei Santa Cruz com 16 anos, mas nas minhas idas à minha amada terra, sempre conversava com Totonho sobre os mais diversos assuntos, entre eles o futebol.

Está para fazer três anos, eu, Estácio e João Lopes, que infelizmente já nos deixou, chegamos cedo para mais um encontro dos ausentes, em setembro. Nem paramos na cidade, uma vez que fomos direto visitar o velho amigo Totonho, na sua fazenda em Malhada. Lá passamos horas agradáveis, com o anfitrião, que se fazia acompanhar por um dos filhos, contentando-se em tomar refrigerante, enquanto as visitas mergulhavam na água que passarinho não bebe. Já safenado, Totonho procurava seguir as determinações médicas. À noite ainda o vimos na festa.

Foi a última vez que estive com ele. Com sua morte, Santa Cruz do Capibaribe perde um dos seus filhos que ajudaram a projetá-la no terreno esportivo, valendo salientar que José Vitorino Filho, este o seu nome, já ocupou a presidência do Ypiranga.


LENIVALDO ARAGÃO

0 comentários:

Postar um comentário