3 de abril de 2016

O FOLCLÓRICO MUNDO DO FUTEBOL

Prezados conterrâneos, o dinâmico e competente jornalista Marcondes Moreno me honrou com o convite para participar de seu prestigiado blog, com esta coluna. Portanto, aqui estou, procurando mostrar-lhes o lado pitoresco do futebol. Tenho muitos anos de janela, para usar um velho jargão, e a convivência com as mais diferentes figuras que giram em torno do mundo da bola me fez testemunhar incríveis e divertidos episódios ao longo do tempo. Outros chegam a mim por intermédio dos próprios protagonistas ou de algum partícipe, mas todas as histórias que conto são verdadeiras, com nomes e personagens. Na longa militância no jornalismo esportivo, esta tem sido uma especialidade marcante na minha carreira. Já publiquei dois livros abordando esta temática – No Pé da Conversa e Comigo ou sem Migo – e estou a caminho de um lançar um terceiro. Espero que vocês gostem dos ‘causos’ que serão apresentados na coluna, cujo objetivo é trazer ao leitor um pouco desse folclórico ambiente que o futebol proporciona.

ASSUME O NOVO SECRETÁRIO DE ESPORTES DO RECIFE

Está assumindo, nesta segunda-feira, a Secretaria de Esportes da Prefeitura do Recife, em substituição a George Braga, que está deixando o cargo para se candidatar a vereador, Luiz Henrique Lira. Trata-se de um economista, funcionário concursado do Banco do Brasil, que foi secretário executivo da Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado.

Com ampla experiência na administração pública, o novo titular da Secretaria de Esportes municipal já ocupou diversas funções na municipalidade recifense, tendo sido diretor administrativo, assessor técnico, gerente de Planejamento e gerente de Projetos.

Entre 2011 e 2015, integrou o Governo do Estado, como chefe de Gabinete. Em 2015 assumiu a Gerência de Produção e posteriormente a Superintendência de Planejamento e Gestão da Fundarpe.

O ato de posse está marcado para as 14h30, no 15º andar do prédio da prefeitura, quando serão também empossados outros secretários.

TAÇA, TAPA E CERVEJA
Certa vez, o volante Laxixa, que há pouco nos deixou, viveu um episódio engraçado. Na sua época, o calendário oficial do futebol brasileiro não preenchia o ano inteiro, como hoje. Os times saíam jogando por aí, encerrados os campeonatos estaduais ou enquanto esperavam por eles. Eram excursões pelo Brasil afora. Ou pelo exterior. Às vezes duravam meses. Em abril de 1962, o Sport, como campeão pernambucano, foi a Ilhéus, na Bahia, disputar um quadrangular. Aproveitou a oportunidade para desdobrar a passagem de ida, descendo em Maceió e ganhando um dinheiro extra num amistoso em que derrotou o CSA por 2x1. Jogo realizado no Mutange, pois nem se sonhava ainda com o Rei Pelé. Em Ilhéus, terra do comentarista Luís Cavalcante e cenário do célebre romance “Gabriela, Cravo e Canela”, de Jorge Amado, o Leão só precisou vencer o Flamengo local por 2x0 para ir à final com o Vitória, que havia despachado a outra equipe da cidade, o Colo Colo. Outro 2x0, agora sobre o Leão da Barra, e o Leão da Ilha foi o campeão, com Dirceu: Dodô, Sinval, Tomires e Nenzinho; Sarará, Renato e Laxixa; Traçaia, Djalma e Noélio. A final teve, além da taça, tapa. E muita. Sim, porque a certa altura do jogo, o pau cantou no gramado. Brigou praticamente todo o mundo, de um lado e de outro. Laxixa acertou o primeiro que apareceu à sua frente. Tratava-se nada mais nada menos do que o grandalhão Roberto Rebouças, um zagueiro acostumado a dar bordoadas nas canelas dos atacantes adversários, e que terminou fazendo seu nome com a camisa do Bahia. Jogo terminado, troféu na mão dos pernambucanos, os dois times seguiram cada um para seu hotel. Mais tarde, depois do jantar, com os jogadores liberados, Laxixa saiu para dar uma volta. Ao passar por um bar, resolveu tomar uma cerveja para matar o tempo e a sede. Foi botar o pé lá dentro, viu logo o jogador com quem se engalfinhara fazia pouco tempo. Roberto e Boquinha, outro atleta do Vitória, regalavam-se em torno de uma loura suada. “Lá vem encrenca de novo”, pensou o meiocampista do Sport. Mas não tinha como recuar. Dar meia volta seria um ato de covardia e isso não era com ele. Cabeça erguida, cara amarrada, seguiu em frente, à procura de uma mesa, um olho no padre, outro na missa, pronto para qualquer eventualidade, Isso porque a lembrança da confusão havida no campo, ainda estava bem viva na sua cabeça. Enquanto olhava para um lado e para outro, entre desconfiado e encabulado, ouviu um chamado: “Laxixa, vem pra cá, tomar uma com a gente.” Era justamente a voz do zagueirão com quem medira forças três ou quatro horas atrás. Atendeu pronta e amigavelmente o convite e sem maiores delongas juntou-se ao ‘inimigo’. Desce uma gelada, desce outra e o trio varou a madrugada jogando conversa fora e cerveja dentro. Ninguém nem se lembrava de que tinha havido uma briga. O certo é que a farra atravessou a noite, e os três só se deram conta quando a barra já ia quebrando, anunciando o novo dia. Aí cada um tomou seu destino, todos satisfeitos e risonhos com a noitada. Encrenca de campo é assim. Começa e acaba lá dentro.

LIVRO DO PEDRÃO
DIA 12 DE ABRIL NO SESC SANTO AMARO

A VITORIOSA BATALHA DE UM CLUBE AMADOR CONTRA A UNIÃO

Se ainda existisse, o Sport Club Caruaruense estaria se preparando para festejar seu centenário, posto que foi fundado em 28 de fevereiro de 1918, um ano antes do aparecimento do Central, surgido em 15/6/1919. Seus fundadores, como se deduz do nome e das cores, eram apaixonados pelo Sport Club do Recife, criado em 13/5/1905.

O Sport Caruaruense, um time estritamente amador, como era, na época, seu arquirrival Central, funcionou normalmente até fins dos anos 40, quando em pleno período da Segunda Guerra Mundial teve sua área ocupada – até hoje pelo Exército Brasileiro – para fins de segurança.

O rubro-negro de Caruaru continuou funcionando oficialmente, com reuniões regulares de sua diretoria que, décadas depois, passou a pleitear uma indenização junto à União, o que foi conseguido em 1976, em quantia superior a 1 milhão de cruzeiros, na moeda vigente à época.
Um pouco da batalha jurídica travada pelo Sport Caruaruense está contada no face “No Pé da Conversa” por um dos advogados que o defenderam.

Aqui, o time-base do Sport da Capital do Agreste em 1930: Trajano; Fernando e Cabral; Condé (Ulysses), Othoniel e Coló; Zuza, Amâncio, Memeu, Tutu e Pina.

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