10 de abril de 2016

TROCO, TRAVO E CANELA


A CUSPARADA

O mundo inteiro ficou estarrecido com a mordida do uruguaio Luis Suarez no italiano Chiellini, na Copa do Mundo de 2014. Foi uma coisa espantosa, mas não fora do contexto. Aqui, acolá acontece.

Quando era presidente do Central, Edgar Aragão teve um pega pra capar com o advogado Gil Teobaldo, que era presidente do TJD, e saiu mostrando uma das mãos a quem quisesse ver, com a marca dos dentes do rival. Tinha sido mordido pelo seu contendor. Cusparada, então, entre jogadores. Só quem está lá dentro de campo é que percebe. Pode ser até nojento, mas pelo menos não dói, ao contrário da mordida.

Trago aqui uma história de cusparada contada no livro Presepadas no Mundo da Bola. O autor é o veterano cronista esportivo cearense Alberto Damasceno, uma figura múltipla na Terra de Iracema, onde desempenhou as funções de jornalista, radialista, técnico de futebol, empresário de jogadores e por aí vai.

Vamos à história:

Muitos anos atrás, era costume dos clubes, convocarem os jogadores com quem queriam conversar, para as reuniões de sua diretoria, que aconteciam todas as semanas, em todos os clubes.

Otacílio Amaral, presidente do Usina Ceará, manda chamar Novíssimo, e quando este chega: - Seu Novíssimo, o senhor não saia daqui sem falar comigo.

Reunião chata, demorada, um saco esperar. 

- O que será que esse velho quer comigo? O que será que ele descobriu?

Três horas depois, acaba a reunião, começa a conversa: - Seu Novíssimo, estou muito decepcionado com o senhor...

- Por que seu Amaral? - Ora, eu soube que no último jogo nosso, o senhor cuspiu no rosto de um atleta adversário. Isso é feio, muito feio...

- Seu Amaral, o senhor me prendeu esse tempo todo, esperando mais de três horas, pra dizer uma besteira dessas? E eu, aqui, pensando, preocupado, que era uma mulher que tinha vindo fazer a minha caveira com o senhor, dizendo o que eu tinha feito com ela...

Saiu apressado da sede fabril e foi fazer as suas besteiras.

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