6 de abril de 2016

UM PODER SEM CREDIBILIDADE

“Um conteúdo dito vale mais, a depender de quem diz, do que propriamente do que é dito”. Isso explica muitas vezes porque a mesma coisa, verbalizada por alguém importante e que representa poder, ganha mais notoriedade do que quando expressada por um cidadão comum sem tanta representatividade. É claro que para alcançar esse estágio de reconhecimento público há diversos fatores que se combinam, nem sempre implicando necessariamente ao cargo que se ocupa.

Manter essa representatividade perante a opinião pública, seja um político ou um mero cidadão sem representatividade no poder, todavia, requer, além do conteúdo, algo mais, que diz respeito também a personalidade de cada um, e o senso de oportunidade para aproveitar as brechas que surgem. 
Um desses indicadores do algo mais é justamente o acontecido na câmara de vereadores de nossa cidade quando um mero cidadão se coloca a afrontar o poder legislativo, saber se preservar para não virar um boneco, que tanto fala sobre tudo, como atirar para todo lado sem significar que possua competência para tal. Primeiro para que se possa ter credibilidade para falar de tudo e sobre tudo um cidadão precisa impreterivelmente ser um cidadão livre e o livre que me refiro está muito além das algemas, está a não depender de nenhuma instituição pública para sobreviver, não mesquinhar nenhuma vaga ou emprego público, não ser boneco fantoches de ninguém.

Infelizmente, não são raros os que já estiveram lá e hoje descem a ladeira do descrédito, sendo ignorados solenemente pelo que dizem, tornando-se mais folclóricos do que propriamente formadores de opinião.  Sendo assim é preciso saber se comportar um cidadão mesmo que legitimamente possa e deva reivindicar seus direitos perante seus representantes legais, em muitos casos, esse tipo de atitude representa uma maneira de aparecer frente a sociedade mesmo que o fato represente uma atitude constrangedora para o enfrentam-te. 

Ataques, é bem verdade, aos homens públicos de nossa cidade não são nenhuma novidade por aqui. Já que os mesmos representam uma classe amada e odiada por muitos e que algumas posturas dos tais são promiscuas, covardes e sem escrúpulos, e que na maioria das vezes, ferem a verdade. Ao contrário, a estas posturas mesquinhas dos nossos representantes estamos nós, meros cidadãos comuns que por vários mecanismos tentamos acertar no alvo de nossa indignação.

A questão, todavia, é que se o estilo de discurso do que se rebela é certeiro, mas não se coaduna com a sua prática. Aí, ao se fazer a síntese, ele tem mais a perder do que a ganhar. O resultado é que as suas falas e frases cativantes já não geram os mesmos efeitos se conduzidas, mesmo que legalmente.

Uma pena, pois muitas delas contêm verdades ferinas. Mas é a lógica da política. Como disse no início, as palavras valem mais dependendo de quem as expressa, e não o que propriamente significam. E quando quem diz perde a credibilidade, estas se perdem no vento e do foco do discurso, que no caso seria a questão da CPI do calçadão Miguel Arrais de Alencar.

Na verdade, nossos governantes não têm moralidade nenhuma frente ao cidadão comum, os nossos atos delituosos são apenas uma agulha no palheiro da imoralidade dos nossos representantes legais.                                                
JOSÉ DALVINO – CIÊNTISTA SOCIAL

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