27 de maio de 2016

A VÍTIMA NUNCA É CULPADA!

         Durante essa semana, nos deparamos com o triste e lamentável caso da jovem de 17 anos que foi violentada sexualmente por 33 homens. O caso teve grande repercussão nas redes sociais, onde alguns dos autores do crime bárbaro, postaram fotos e vídeos no momento do crime, expondo e ridicularizando a vítima.

         Algo que também chama a atenção, é a forma como muitas pessoas se posicionam a respeito desse ocorrido (e em outros similares), demonstrando frieza e descaso as vítimas desse tipo de tragédia. Frases usadas como: “a culpa foi dela, não deveria estar naquele local”, “com essa roupa está pedindo pra ser estuprada”, “a natureza do homem é assim mesmo”, “isso não é hora de uma mulher estar sozinha na rua”, entre outras, mostram o quanto a sociedade e cultura brasileira sofre a cada dia mais um retrocesso de valores.

         Valores? Que valores são esses? São aqueles em que permitem ou não as mulheres vestirem-se de acordo com o padrão social, estar em ambientes que “lhe cabem”, sair até tal hora...

         Segundo Fischer (2011 apud Boris e Cesídio, 2007) a família tradicional e a igreja, ainda tentam impor o que é certo e o que é errado , apontando o que é considerado bom comportamento e o que é inaceitável para uma mulher, ressaltando os valores a moralidade que foram estabelecidos e mantidos em diversas gerações. a partir desse contexto, vê-se que o modelo de conduta da mulher, dever ser não a partir dos seus ideais e, sim do que a cultura impõe a ela.  

         O agressor é sempre visto como o detentor de maior poder. Em crises ou ameaças de ruptura dessa dominação tradicional, o agressor, inconscientemente tenta esconder seus medos e vulnerabilidades, através da violência, aproveitando-se de vítimas, que ele considera indefesa na sua visão machista.

         Schraiber et al. (2009) diz que a violência de gênero é banalizada e aceita em algumas culturas, quando há normas culturais ou legais conferindo direito de propriedade masculina sobre as mulheres.

         Fica uma questão social, será que o fato da mulher ter sido abusada, estuprada, violentada e ter tido seus direitos violados, é realmente por não ter se comportado como dita a cultura? Ou estamos vítimas de uma cultura machista que não se sustenta em suas próprias fraquezas ?

         A violência dessa jovem, não foi apenas com ela, mas atingiu todas as mulheres que lutam diariamente pela liberdade de serem quem elas quiserem ser. A questão aqui não é isolar esse caso, como sendo o único ocorrido, mas serve para todos nós como uma reflexão, no que estamos construindo como moral e ética, para nós mesmo e para as futuras gerações. 

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