22 de maio de 2016

BANDEIRINHA POR ACASO

BANDEIRINHA POR ACASO CAMPEONATO BRASILEIRO DE 1972

O América do Recife estava na Taça de Prata, que hoje corresponderia à Série B. Os três grandes, Náutico, Santa Cruz e Sport disputavam aTaça de Ouro, o equivalente à Série A, numa época em que o certame nacional tinha outro formato. O Periquito, já desclassificado, recebeu a visita do também eliminado Centro Sportivo Alagoano, o tradicional CSA. Jogo programado para o estádio dos Aflitos. Como a partida não valia mais nada, pernambucanos e alagoanos chegaram a pensar em não ir a campo, mas mudaram de ideia para evitar punição por parte da CBF. 

Nas arquibancadas, apenas 29 pessoas. Renda de 145 cruzeiros. Não deu nem para pagar aos porteiros. O juiz escalado, Antônio Góis, não apareceu. O pernambucano Cleiton Beltrão, bandeirinha número 1 assumiu a missão de comandar o espetáculo (?). Ainda não havia a figura do juiz reserva ou quarto árbitro, como é chamado oficialmente. Para completar o trio, Cleiton, no melhor estilo pelada, convidou o radialista José Bezerra, na época repórter da Rádio Olinda, e hoje comentarista da Rádio Globo do Recife, ex-Rádio Clube. Bezerra, que iniciou a carreira na Rádio Cultura de Caruaru, e que tem como slogan O Príncipe de São Caetano, por ter nascido naquela cidade do Agreste pernambucano, topou a parada, depois de consultar o chefe da equipe da rádio em que trabalhava, uma vez que estava escalado para atuar naquela jornada. Fez-se uma arrumação na equipe da Olinda, que estava de serviço naquele dia, e lá se foi o Príncipe para o vestiário meter-se na indumentária apropriada, emprestada, é claro. 

A escolha de Cleiton Beltrão não foi feita por acaso. Aconteceu pelo fato de José Bezerra ter participado do primeiro curso de arbitragem realizado pela Federação Pernambucana de Futebol, uns três anos antes. Não pensava em ser juiz e teve por objetivo se aprimorar no conhecimento das regras. O América venceu por 2 x 1 e o CSA nem estrilou com a improvisação. Mas reclamar pra que, se não havia mais salvação para prosseguir na competição? 

Quanto ao bandeira improvisado, no primeiro tempo ele corria agitando os dois braços, como um atleta numa prova de velocidade. Com isso, a bandeira que conduzia à mão, subia a descia, confundia completamente o árbitro. Depois, com um bizu passado por Clayton Beltrão, o erro foi corrigido e tudo saiu dentro dos conformes.

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