1 de maio de 2016

O DIA EM QUE UM MALA PERNAMBUCANO ENROLOU RONALDO FENÔMENO

Anos atrás, o repórter e apresentador de rádio e tevê Luiz Muniz, o popular Mala, estava na Europa, entrevistando jogadores brasileiros, principalmente pernambucanos. Ou saídos de Pernambuco. Em Portugal foram ouvidos Jardel, Sérgio China, Marco Aurélio (goleiro), Ragne, Tanta, Arlem, Fernando, ex-Vitória e Santa Cruz, e outros. Cada um recebia simbolicamente um alto-falante de carro, como brinde, que era logo recolhido pelo entrevistador, assim que a entrevista se encerrava. A ‘vítima’ não escondia seu espanto, mas terminava concordando, diante da zona que Mala fazia. Sérgio China foi o que mais chiou, porém, terminou indo no papo de Mala . Na Espanha entraram em cena Rivaldo, na época defendendo o La Coruña, Roberto Carlos, do Real Madrid, e Ronaldo Fenômeno, ídolo no Barcelona. Entrevistar Ronaldo seria uma tarefa fenomenal, considerando-se a dificuldade para chegar perto dele. Todavia, o intrépido repórter resolveu arriscar. O Barcelona enfrentaria o Compostelano, em Santiago de Compostela. Mala se mandou para lá, levando a tiracolo o cinegrafista Índio, que o acompanhava na aventura europeia. Os dois hospedaram-se no hotel em que a equipe do Barça se encontrava. Mala gastou uma nota preta, posto que o time da Catalunha não iria baixar em um terreiro qualquer. Todavia, de Ronaldo, só a distância. Os dois andares onde estava a delegação eram indevassáveis.
A multidão, lá embaixo, contentava-se com um simples aceno, dado da janela, pelo Fenômeno. Com a ajuda do ex-jogador do Íbis e empresário de futebol Robério Lopes, muito conhecido naquela região, Luís Muniz conseguiu uma aproximação com o craque, assim que a equipe chegou ao estádio, no dia do jogo. Cercado por um batalhão de seguranças, Ronaldinho não queria dar entrevista. “Meu amigo, há uns 50 jornalistas aí fora querendo me entrevistar. Se eu for atender a cada um individualmente não jogo futebol.” O astuto repórter não deu tempo para o atacante respirar: “Mas Ronaldinho, eu vim de tão longe, lá do Sertão de Pernambuco pra te entrevistar... O que é que eu vou dizer quando voltar?” O jogador teve pena do ‘pobre coitado’ e concordou. Como o artilheiro estava de cabeça raspada, Muniz foi logo zonando: “Mas que careca linda”. Ao mesmo tempo colocou um boné da Via Sports, um dos seus patrocinadores, na cabeça do craque. “Mas isso é propaganda”, protestou Ronaldinho. Mala contra-atacou: “Eu sei, mas tu ganhando dois milhões de dólares por mês, vais fazer questão com um cara que tá fazendo seu trabalho por uma mixaria?” Ponto para Mala. Ronaldinho baixou a guarda de novo. O jornalista só levou a pior na hora de pegar o alto-falante de volta. “Cara, você não acabou de me dar de presente?”, reagiu o atleta. “Mas tu já deves ter um montão desses... pra que vais querer essa porcaria?”, alegou Mala. Dessa vez, o mala foi o outro: “De graça eu quero tudo.” E se mandou com o brinde, deixando o mala legítimo com a cara mexendo. Pouco depois, Ronaldinho marcava contra o Compostelano, o que ele considera o maior gol de sua carreira.

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