20 de maio de 2016

“ROUBA MAIS FAZ”

Um componente importante nos escândalos do Brasil, é o fato de estarem ligados ao financiamento de campanhas em despesas operacionais de partidos políticos. Um sistema em que o dinheiro público é relacionado à fatia de votos. A história de política de base organizada ao redor da compra de apoios locais fica mais evidente quando se observa o sistema eleitoral brasileiro, de representação proporcional de lista aberta, em que candidatos a cargos legislativos concorrem em Estados inteiros, em listas de partidos ou coalizões.
Tudo isso torna as campanhas caras, os candidatos precisam pagar por cabos eleitorais, carro de som. Esse sistema cria maior demanda por recursos para pagar por esses apoios locais. A corrupção é ruim porque reduz a eficiência dos gastos públicos. O dinheiro recolhido dos cidadãos por meio de impostos não é usado de maneira eficiente em serviços e bens públicos.

Entretanto, essa é apenas a febre, o sintoma de uma doença maior. Não bastou a Presidente Dilma ter, em seu governo dezenove ministros envolvido em escândalos de corrupção, o seu sucessor e Presidente interino M. Temer conta também, com nove ministros envolvidos na lava jato. O que mais chama a atenção é que apesar de serem corruptos são colocados como exemplos de administradores públicos.
 
A situação pode, sim, ser mudada. Desde que você e eu nos manifestemos abertamente, pois nossa manifestação, quando multiplicada, gerará a necessária mudança da opinião pública sobre o assunto. Ao longo dos anos fomos vencidos pelo cansaço, nos tornamos um povo apático a tudo isto. Somos pacíficos, mas não precisamos ser omissos. Temos que limpar a administração dos maus políticos e servidores públicos que mancham nossa imagem, afinal carregamos a culpa de sermos uma sociedade corrupta.

Se pararmos para pensar, no final das contas, mesmo que inconscientemente, somos nós que financiamos toda essa corrupção. Os corruptos visam o dinheiro público, que em última análise é o seu dinheiro e o meu dinheiro, que disponibilizamos para a manutenção da sociedade. Na medida em que os recursos destinados a financiar hospitais, escolas, saneamento básico e outras necessidades primárias são desviados, debaixo de nossos narizes, e não tomamos qualquer atitude, também temos nossa parcela de culpa, por uma simples questão de omissão. 
Chega da insensatez de dizer que político bom é aquele rouba mais faz. Estamos pagando um preço muito alto por pensarmos assim. A miséria econômica pela qual estamos passando dá-se exatamente por termos escolhidos os que roubam mais fazem. Se eles roubam, se apropriam exatamente do que é nosso, e não devemos nos conformar com isso. A nossa miséria representa o bem-estar deles.

JOSÉ DALVINO – CIÊNTISTA SOCIAL

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