30 de junho de 2016

PACTO DE MORTE


 ANO PASSADO O PACTO PELA VIDA, fez aniversário de nove anos do programa de segurança, a Secretaria de Defesa Social (SDS) deixou de atualizar em seu site oficial as estatísticas de homicídios em Pernambuco. Coincidência ou não, os números deixaram de ser publicados, sem alarde, justamente em um período muito crítico – com o aumento desenfreado da violência. Havia muito simbolismo por trás das estatísticas que eram atualizadas e divulgadas diariamente à sociedade. Algumas ações estão sendo realizadas como os atuais concursos públicos para o ingresso aos cargos de polícia civil e militar, mas as condições de trabalho para estes novos agentes de polícia, são extremamente precárias. 
“O policial militar tem boa formação para o desempenho de sua função? Sabemos que não. Por quê? Vencimentos, origem, atrativos, etc. Partindo dessa premissa, refletimos: quem é o policial militar? É um ser extraterrestre? Não, sou eu, você, somos nós fardados. O policial militar é violento? É., Mas por quê? Bem, além de sermos violentos, recebemos uma instrução ou preparo e vivemos quase sempre violentados.
 O Estado nos violenta. Nós somos violentados. Esta é a primeira reflexão. Significa, então, que não é só o policial violento? Absolutamente não. A todo momento, a toda hora, experimentamos a violência. A nossa formação e origem é por demais violenta, basta rebuscar na história; em outras palavras, não temos pedigree. Estamos, sim, tentando, lutando, enfrentando para conter a violência, mas não percamos de vista que somos produto dessa violência. Da Polícia Civil, como de qualquer outra corporação ou segmento, quanto à violência, digo o mesmo. Nos conventos para padre, nas igrejas, há violência; logicamente que não consiste na acepção pura da palavra, ou seja, física, mas na lesão aos direitos, sendo até mesmo preteridos. Não creio que extinguir a Polícia Civil ou Militar seria a solução correta.

É o mesmo que a pena de morte. Não podemos matar para extirpar as consequências. Devemos, sim, acabar com a causa. Extinguir a Polícia Militar ou Civil seria solução política e paliativa, talvez. O ideal, creio, seria repensar a sua reestruturação. Partindo do homem, o policial há de ser qualificado para a função, há de possuir as condições para o trabalho e ser recompensado à altura, pois só assim poderá ser cobrado.

O Estado recruta pessoas sem condições até mesmo de sobrevivência, verdadeiros renegados, não os prepara suficientemente, não lhes dá as mínimas condições de trabalho e os abandona como feras feridas, lobos atrás de suas presas fáceis, os cidadãos. O Estado é absolutamente omisso, isto em todos os aspectos. O culpado é o sistema, e o engodo, a farsa dos políticos inescrupulosos, de mentira, faz de conta. O policial é violento, é despreparado, é revoltado, não tem condições de trabalhar, mas o culpado não é o policial, nem o povo, mas o sistema, o governo, o Estado. ” LEMOS, Ricardo

JOSÉ DALVINO – CIENTISTA SOCIAL

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