27 de junho de 2016

SÃO JOÃO DA MODA MIX

SÃO JOÃO TRADICIONAL COM FORRÓ AUTÊNTICO PERDE ESPAÇO PARA RITMOS ESTILIZADO, SERTANEJO, ELETRÔNICO, MPB, FUNK E ROCK

Na coluna de hoje, os assuntos serão as variedades de ritmos em nosso São João, a ausência do Circo do Forró, bem como a segurança do evento e a falta de prestações de contas do atual evento e de edições anteriores.

CADÊ O CIRCO DO FORRÓ?: A Praça dos Estudantes localizada na Avenida 29 de Dezembro, durante bastante tempo, no mês de Junho se transformava no Espaço Cultural Pedro Maia Filho, através do inesquecível Circo do Forró (Lei Municipal nº 1.001/93), local destinado para apresentações de grupos de forró pé de serra e bandas musicais com repertórios voltados ao forró mais tradicional.
Infelizmente, o símbolo que marcava o tradicional São João de nossa cidade deixou de existir.

PALCO MULTICULTURAL NO SÃO JOÃO?: Santa Cruz do Capibaribe é um celeiro de artistas e músicos, no entanto, entendo ser incompatível um palco multicultural, onde são realizadas apresentações de bandas e cantores com repertório como o MPB, Funk, Eletrônicos e Rock em um evento que deveria ter foco apenas no Forró.

Santa Cruz conta com outros eventos que poderiam receber esses artistas perfeitamente.

PALCO DA MODA OU PALCO DA MODA MIX: As principais atrações do São João de Santa Cruz se apresentam no Palco da Moda, sendo assim, se estamos em um evento junino, a lógica seria que as apresentações fossem realizadas com o repertório voltado para a cultura nordestina e para o forró, porém, não é o ocorre, assim, o ideal seria chamar o local de “Palco da moda Mix”, já que além do forró, existem apresentações de ritmos sertanejo e estilizados.

Outro ponto questionável são os gastos exorbitantes na contratação de algumas atrações que se apresentam no referido palco, ficando longe da realidade de crise econômica que dizem existir no município.

SEGURANÇA E CONFORTO: Durante o tempo em que estive no espaço destinado ao evento, pude perceber que a segurança de quem esta no local é uma das principais preocupações. Tanto nas entradas como dentro do evento, a segurança é constante, além do conforto através da organização e da estrutura montada.

Parabéns aos organizadores e a equipe responsável pela segurança, onde percebo que nosso São João provavelmente deverá ser um dos mais tranqüilos e menos violento de todo o estado.

SERÁ QUE ASSIM COMO OS EVENTOS ANTERIORES, NÃO HAVERÁ PRESTAÇÃO DE CONTAS DO SÃO JOÃO 2016?: Após o término das festividades juninas, os munícipes deveriam ser informados dos recursos obtidos através de patrocinadores e incentivos culturais recebidos pelo Governo do Estado e pelo Governo Federal, bem como todos os gastos/despesas de todo o evento.

No entanto, se levarmos em considerações as edições anteriores do São João da Moda, infelizmente não saberemos quanto foi arrecadado, tão pouco, quanto foi gasto, inclusive, possíveis despesas realizadas com recursos próprios.

Deste modo, assim como houve o lançamento do evento, entendo que também deveria existir a devida prestação de contas do mesmo, afinal, somos todos contribuintes e temos o direito de saber qual o valor destinado para a realização de um evento deste porte.


EVENTOS COM FORRO AUTÊNTICO: Cabe destacar que mesmo havendo uma desvirtuação do nosso atual São João; ainda há alguns eventos culturais promovidos com o verdadeiro forró autêntico e tradicional, tais como: Tradicional São João da AABB, São João dos Nunes, São João do Amigo Zé de Duda, São João da Educação, São João da 98 FM, entre outros.

Finalizando, diante de tudo que foi exposto, observo como pontos positivos do São João da Moda a estrutura, organização e segurança do evento. No entanto, temos como pontos negativos a perca de pontos verdadeiramente culturais e históricos (Circo do Forró), desvirtuação do evento, colocando vários ritmos em uma festa que deveria ter como foco apenas o forró, e, por fim, a falta de transparência na prestação de contas dos recursos obtidos, bem como os gastos e despesas realizadas através de recursos públicos.

Aurimar Ramos – Professor, Formado em Geografia pela AEB/FABEJA, Pós-Graduado em Gestão Pública pelo IFPE, Cursando Segurança do Trabalho pela EadPE e Acadêmico em Direito pela Faculdade ASCES.

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