4 de agosto de 2016

CRIME HEDIONDO!

         Imagine um jardim cuidado durante anos para que pássaros e pessoas possam sentir seu perfume e viajar na obra da criação diante do belo exposto no desabrochar das flores e das árvores que ladeiam o mesmo e fazem sombra para se beber água fresca, imaginem um lago calmo onde todos podem desfrutar da sua doce água enquanto sentem o sol tocar sua pele e as gotículas que se expandem pelo ar diminuir seu calor.
         Agora imagine pessoas chegando ao jardim, arrancando suas flores, matando os pássaros, rasgando a terra e revolvendo tudo ao seu redor, golpeando as árvores de tal maneira que o seu caule fique marcado ou derrubado, imaginem pessoas sujando o lago e dissipando a possibilidade de se matar a sede com sua água.
          Agora entenda que não se trata de imaginação e que isso aconteceu em uma cidade chamada Santa Cruz do Capibaribe no último dia 31 de julho de 2016, na noite desta data um ato de crueldade, alguns companheiros de blog chamaram de vandalismo, mas levando-se em conta a origem do termo vândalo (os Vândalos eram uma tribo germânica oriental que penetrou no Império Romano durante o século V e criou um estado no norte da África ocupando a cidade de Cartago, antiga cidade fenícia que fora ocupada pelos romanos desde o fim das Guerras Púnicas), prefiro chamar de crueldade ou qualquer outro adjetivo negativo que você preferir para o ato perpetrado contra uma Escola Municipal, o ato de depredar o patrimônio já é uma atitude merecedora de toda forma de repúdio possível, mas no caso de ataque a uma Escola isso é muito mais grave.
         Isto por que esse ambiente é aonde professores e demais funcionários vão com a única finalidade de formar cidadãos, ou seja, formar sujeitos que se compreendam como aqueles que são donos do futuro levando a sociedade a melhoras cada vez mais significativas, uma agressão dessa natureza a uma Escola não pode ser colocada dentro da dinâmica da sociedade pós-moderna que naturalizou a violência de tal maneira que ninguém consegue ver a gravidade dos fatos por trás de algo dessa envergadura.
         Imagine agora que você é uma mãe ou pai que vai levar o seu filho na manhã da segunda-feira para mais um dia de formação cidadã e o que você encontra é uma Escola destruída sem condições dignas para receber seus estudantes, isso ocorreu, mas não foi apenas uma manhã ou tarde sem aula, foi um dia marcado pela ira de quem por algum motivo não compreendeu que atingia um patrimônio de valor inestimável, uma Escola. Há dúvidas se o ato está relacionado com a “política local” ou não. Caso haja, recomendamos que os responsáveis pelo ataque estudem naquela Escola a fim de descobrir o verdadeiro sentido da palavra política. No dia seguinte os jardineiros voltaram as suas atividades e o jardim começou a funcionar novamente, que o perfume do saber ultrapasse os seus muros e mostrem a todos que a violência simbólica dói de maneira correspondente a flores sendo esmagadas ou crianças com lágrimas nos olhos. No mais fica o dito para ser reescrito e ponto final. 

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