9 de setembro de 2016

POR UMA NOVA INDEPENDÊNCIA!

 
Dia sete de setembro de 1822, as margens do riacho do Ipiranga um herdeiro da península ibérica mal vestido montado em uma mula e com diarreia, estende sua voz com a frase independência ou morte e declara livre do domínio de Portugal um território de dimensões continentais. O ato de D. Pedro, depois Pedro I o imperador atendia aos interesses de um grupo de aristocratas escravagistas que não queriam perder os direitos adquiridos desde a chegada da família real ao Brasil em 1808 fugindo das tropas de Napoleão. Portanto a independência não teve participação popular, teve sim, um caráter aristocrático e elitista formando-se o Brasil de cima para baixo do rico para o pobre.
Dia sete de setembro de 2016, milhares de pessoas vão as ruas para assistir ao desfile alusivo a nossa tão propalada independência, se acotovelando nas ruas o povo observa o desfile, seus atores e atrizes e toda uma infinitude de acontecimentos. Primeira pergunta, quantas daquelas pessoas sabem o ano em que o Brasil se livrou de Portugal? Segunda pergunta quantos ali sabem que o Brasil ainda não se libertou completamente do poderio europeu?

         Somos um país de memória muito curta, tão curta que tem gente que acredita que a bandeira nacional tem o verde representando nossas matas e o amarelo o nosso ouro, na verdade cores que representam a casa real portuguesa, nossa flâmula não é tão inocente quanto se pensa, nossa memória não deixa, por exemplo, que muitos se lembrem na eleição anterior em quem votaram para senador e deputado federal, talvez governador e deputado estadual todos lembrem, esquecemos facilmente o nosso povo que sofre todos os dias para conseguir manter os filhos alimentados e o mínimo de qualidade de vida, esquecemos que sequestram a educação dos nossos jovens e facilitam sua entrada no mundo das drogas, esquecemos que temos um presidente golpista no poder apoiado por uma corja de legisladores corruptos que tem como puro interesse saquear os cofres do Brasil esquecemos que o nosso Estado é Estado violência e que a repressão contra preto, mulher, homossexuais, professores, minorias e pobres é debaixo do cassetete e da bala, esquecemos que podemos mudar essa realidade e comumente alguém repete a síndrome da Gabriela, ou seja, o Brasil nasceu assim, sempre foi assim nunca vai mudar.
         Com esse tipo de coisa invalidamos a esperança de dias melhores, desacreditamos dos jovens e com um saudosismo piegas ostentamos o orgulho de dizer que na nossa época era diferente e tudo era melhor, com esse tipo de coisa ceifamos a liberdade de expressão dos trabalhadores que se veem a cada dia mais limitados nos seus direitos principalmente depois do golpe parlamentar do Brasil, além dos sindicatos pelegos que não representam obviamente quem precisa, fica de lado dos patrões.

         Um dos piores administradores do Brasil foi D. Pedro I, e de 1822 para cá, parece que muitos aprenderam direitinho com ele, na vida privada Pedro era grande namorador, chegou a ter dezenas de mulheres, na piada da votação na nossa “honrosa” câmara dos deputados a maioria falou de valores e da família, Gilberto Dimenstein que acompanhou Brasília de perto por longos anos afirma em recente livro que a maioria tem prostitutas de luxo na capital nacional.
         Precisamos de uma nova independência, precisamos verdadeiramente emancipar o nosso povo, precisamos dar voz ao silêncio dos desvalidos, precisamos da queda de Eduardo Cunha para que se erga um novo tempo, o tempo em que viveremos sem esperar que o Estado seja salvacionista. No mais fica o dito para ser reescrito e ponto final.

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