26 de outubro de 2016

O CIRCO DOS HORRORES

Logo após a construção, em 1951, da nova e atual sede do Clube Náutico Capibaribe, um prédio imponente e monumental para a época, após o trágico incêndio de 1949, o clube passou a ter uma atividade social intensa por mais de uma década.

Ora, era o Convite Dançante, nas sextas-feiras, com a consagrada Isnar Mariano ao piano, ora, a Matinê dos Brotinhos, no domingo à tarde, seguindo-se uma vasta programação, numa época em que nem se sonhava com televisão por estas bandas. Nas terças-feiras havia sessão de cinema, em outros dias, corridas de cavalinhos, bingos e uma série de atrativos para o associado alvirrubro.

Chegou-se à conclusão de que, apesar de toda essa movimentação, não havia qualquer atividade no setor infantil, e as crianças não tinham o que fazer no clube.

Foi criado, então, o Departamento Infantil, com parque de diversões. Ficou decidido que haveria uma intensa atividade no domingo pela manhã. Nomeado o diretor, este apresentou ao presidente Eládio de Barros Carvalho um programa que deixou o Pajé – era assim que Eládio era chamado na intimidade – maravilhado.

Começou-se a cuidar da elaboração do plano. Tudo era tratado meticulosamente. Dois ou três meses depois de terem sido tomados todos os cuidados para a estreia do novo setor alvirrubro, anunciou-se, finalmente, o Domingo tem Circo.

Criou-se uma enorme expectativa em torno do evento. No domingo, era menino pra dar na canela, famílias inteiras na sede, desde cedinho, esperando o tão ansiado acontecimento. À medida que se aproximava o início do espetáculo, aumentava a ansiedade.

Pontualmente às 10 horas, horário anunciado, eis que entra pela Rua da Angustura, onde está o portão principal do estádio - e caminha para o dancing, o diretor do Departamento Infantil. Sempre presente a tudo o que se relacionava com o Náutico, Jaime da Galinha, o saudoso Jaime de Brito Bastos, ajuda o diretor no que ele pede e começa a anunciar as atrações.

O espetáculo inicia-se com um elefante enorme entrando pelo salão de danças. Eládio já fica preocupado com seu assoalho tão bem cuidado, sendo pisado por patas gigantescas. Em seguida, um enorme cocô que o animal solta no meio do dancing, obriga os empregados a trazerem às pressas um carro de mão para recolher a sujeira deixada pelo animal.

Rapidamente, o elefante, que já assustava as crianças, sai de cena. Entra em ação um faquir, que se deita numa cama de pregos, engole uma espada e sai enfiando agulhas enormes nos braços e pernas. Os meninos começam a chorar, o diretor distribui pipocas e bolas de encher, e acalma a situação.

É quando se anuncia a terceira atração de uma série que estava por vir ainda: um homem fortíssimo, um verdadeiro Apolo deita-se no chão, e um outro coloca um paralelepípedo nos peitos dele, começando a quebrar a pedra com uma marreta.


Era pedaço de pedra pra todo lado. Os meninos voltaram a chorar desesperadamente e as mães a gritar. Eládio, então, resolve encerrar o espetáculo e fechar o departamento, que só foi reativado alguns anos depois.

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