10 de novembro de 2016

O DRAMA DO EXAME DE MOTORISTA

Neste país de absurdos, um dos mais explícitos é a verdadeira “máfia” que, ao longo dos anos, vem se sedimentando no conluio entre instituições responsáveis pelo fornecimento da Carteira Nacional de Habilitação – Detran e autoescolas – tudo confluindo para arrancar cada vez mais dinheiro da população.

Primeiro, há uma burocracia infernal, que faz o candidato correr feito louco de um lado para outro, e, em todos os lados deixando sempre alguns reais, sob a forma de malditas taxas. Depois de a autoescola devorar valores absurdos em supostas aulas, treinamentos e materiais escolares, vem o mais bizarro momento: o do exame de direção, pelo Detran, que deveria ser o final desse processo, que se arrasta por, no máximo, um ano.

Entretanto, candidatos extremamente nervosos pelo caráter ditatorial de tal exame enfrentam a subjetividade, o humor instável e a impaciência de boa parte dos avaliadores, e RARAMENTE conseguem ser aprovados no primeiro teste – o que os deixa ainda mais aflitos para os retestes seguintes (todos e cada um devidamente pagos).

Tive a oportunidade de acompanhar (de longe, pois ninguém além do candidato pode se aproximar do local do exame) e é impressionante o desânimo e a tristeza estampados no rosto da maioria dos candidatos que deixam o campo de teste. Mais impressionante ainda, as histórias que saem contando: desde a falta de educação e intransigência do avaliador, até a completa impossibilidade de argumentação. COMO NÃO EXISTE QUALQUER FORMA DE REGISTRO (áudio ou visual), a palavra do avaliador é o que vale.

Esgotadas todas as oportunidades de reexame (como todo o processo deve acontecer em 12 meses, não há espaço para mais do que três ou quatro tentativas de satisfazer o sádico avaliador, uma vez que é exigido um tempo entre uma e outra) e o candidato não conseguindo a aprovação, terá que RECOMEÇAR TODO O PROCESSO, desde a autoescola, refazendo todas as aulas, treinamentos e estresses, e, o pior, PAGANDO NOVAMENTE TODAS AS INFAMES TAXAS.

Eu até tentaria entender tudo isso se pudesse ser percebido, nas ruas e estradas, um resultado positivo de tanta exigência, burocracia e taxas. Não é o que vejo, infelizmente: cada vez mais motoristas inabilitados, irresponsáveis, desconhecedores e/ou desrespeitadores das leis de trânsito, realizam absurdos num tráfego cada vez mais caótico, ferindo e matando pessoas.


Então, gente, algo de muito errado anda acontecendo nesse território inóspito e estranho onde se dão os exames de motoristas.

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