16 de janeiro de 2017

ADMIRÁVEL MUNDO LÍQUIDO!

Há algum tempo atrás, quando alguém ingressava em uma empresa sua meta inicial era fazer carreira na mesma e ter ganhos futuros elevados, nesse mesmo período quando o amor batia a porta do coração de dois seres alados, geralmente se planejava as possibilidades futuras que podia passar pelo namoro (quando aceito pela dama), noivado e casamento, entendido como união indissolúvel, era a te que a morte os separe, a leitura de um bom livro era desacelerada para poder ficar mais tempo agarrado com a obra, no final dava saudade das páginas já lidas, o cantar dos pássaros, o repicar dos sinos, o velório do ente querido e todo um conjunto de coisas era cautelosamente observado e cuidado.
Mas, o tempo passa, o tempo voa, e os novos tempos da era da informação (sem necessariamente produção de conhecimento), trouxe outra dinâmica para a sociedade, hoje quem ingressa em uma empresa e se destaca naquilo que faz vira alvo de interesse de outras empresas que rapidamente levam esse bom funcionário para lá, relacionamentos amorosos começam com cliques no telefone e também são terminados da mesma maneira, comercializamos até os afetos e o até que a morte nos separe na maioria dos casos virou até enquanto durar, se ensina a ler rápido como se ler rápido fosse sinônimo de retenção de saberes, coisas pequenas como pássaros a cantar, sinos a repicar e pessoas caminhando nas praças de mãos dadas (quando soltam por alguns minutos os celulares)  já são coisa de um passado que há quem diga não volta mais, o luto deu lugar a uma curtida no enlutado nas redes sociais na direção da família que sente a dor da separação de alguém que se vai, tempos líquidos, tudo se desfaz tão rápido que em alguns casos não percebemos o que começou há pouco tempo e que também acabou em pouco tempo.
Na cultura a liquidez é muito evidente, um dos grandes exemplos no Brasil é a musica baiana, poucos serão no próximo ano aqueles que se lembraram do grande sucesso do ano anterior, letras ignóbeis com ritmos e arranjos desarranjados, uma verdadeira “música para os pés” até por que nosso cérebro como disse Rubem Alves é igual a escorredor de macarrão, o que não serve ele elimina muito rápido. Vivemos em uma correria impaciente para podermos ganhar mais tempo e quando ganhamos voltamos a correr atrás muitas vezes não sabemos do quê. Com essas e outras coisas nos provocou aquele que é considerado um dos maiores pensadores do século XX, Zigmunt Bauman o pensador que cunhou o termo Modernidade Liquida para nos fazer tentar compreender que somos domados por um contexto estonteante que pode nos deixar alienados, não foi só o mundo acadêmico que perdeu uma grande mente, o mundo perdeu uma de suas referências fora do quadrado da globalização. No mais fica o dito para ser reescrito e ponto final.

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