16 de janeiro de 2017

DIÁRIO DE PERNAMBUCO DESTACA A FORÇA DE SANTA CRUZ DO CAPIBARIBE NO POLO DE CONFECÇÕES

Santa Cruz do Capibaribe, cidade onde nasceu a feira da sulanca, vive o auge da sua influência no cenário de confecções brasileiro. As marcas locais se espalharam pelo país, principalmente no Nordeste, Norte e Centro-Oeste. O que pouca gente sabe, até mesmo entre os pernambucanos, é que, sozinha, Santa Cruz responde por 30% de tudo o que é produzido no Polo Têxtil de Pernambuco, o que representa RS 2,4 bilhões por ano do Produto Interno Bruto (PIB) do estado.

Considerando que o nosso polo é o segundo maior do país, perdendo apenas para São Paulo, é fácil chegar à conclusão de que Santa Cruz do Capibaribe é a maior cidade produtora de confecções em malha de todo Norte e Nordeste brasileiro e caminha para chegar, em 2020, à maior produção de malha do Brasil, segundo dados da própria prefeitura. Nem a seca afeta a produção local, já que a maioria das fábricas de Santa Cruz não depende de água para lavagem do jeans, como a vizinha Toritama. A cidade é quase um oásis produtivo em meio ao deserto do Agreste pernambucano. Até a feira da sulanca, que ficou conhecida em todo o país, foi a primeira a se modernizar. Há dez anos se transformou no Moda Center Santa Cruz, hoje, o maior centro atacadista de confecções do Brasil. Uma em cada cinco cidades pernambucanas possui empreendedores no espaço, que reúne 11 mil boxes, de 54 localidades produtoras. A gestão é feita pelos próprios feirantes, com recursos do pagamento de taxas mensais.

Em sua trajetória, o Moda Center vem registrando um aumento de 10% nas vendas por ano. Índice repetido no ano passado e uma estimativa de crescimento entre 8% e 10% este ano também, independentemente da retração econômica. O espaço já recebeu, inclusive, mais de 140 mil pessoas espalhadas em 120 mil metros quadrados de área construída em apenas dois dias de feira. Ao todo, são 150 mil empregos diretos gerados no local. Agora, a feira e suas principais marcas olham para o futuro e encaram a crise econômica com investimentos e inovação.

“Já dominamos o mercado C, D e E. Em 2017, queremos consolidar nossa atuação no mercado B e, para isso, precisamos de formalização, automação e profissionalização das empresas locais. Estes são os maiores desafios de Santa Cruz e de todas as cidades do polo têxtil”, afirma Allan Carneiro, síndico do espaço. Segundo ele, a formalização está sendo agilizada com a sala do empreendedor, montada em parceria com o Sebrae dentro do shopping. “Em três anos, já tivemos mais de 1,2 mil inscrições na categoria microempreendedor individual.” Apesar disso, grande parte dos comerciantes de Santa Cruz continua na ilegalidade. O que desfavorece o crescimento das marcas pois, com a formalização, as empresas conseguem recursos para investir no negócio, em linhas de crédito do Banco do Nordeste e do BNDES, e contratar mão de obra qualificada. Vale ressaltar que quase 80% de toda a mão de obra capacitada recebe treinamento na escola do Senai no município.


Já a automação, o desafio número dois, precisa de investimentos dos empreendedores locais em máquinas e softwares e mão de obra especializada. E tudo isso depende muito da formalização, uma vez que os investimentos são altos e, para tal, os empresários precisam de crédito. Por fim, Santa Cruz enfrenta ainda a necessidade de profissionalizar as fábricas, para atender com produtos adequados a uma exigente classe B e encarar o aumento nas vendas do varejo, que chega a 30% da produção. “Acreditamos que a tendência do Moda Center é vender mais para o consumidor final, continuando também com seus clientes de atacado”, diz Allan Carneiro. “Com a crise, as pessoas estão correndo atrás de preços baixos para manter o consumo e é justamente isso que oferecemos”, reforça.

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