4 de janeiro de 2017

DROGA DA ESPERANÇA!

Recomeço, para muitas pessoas essa é a palavra que inicia o texto que escreve as primeiras linhas do ano que se inicia, recomeçam inúmeras coisas, da dieta que foi tentada durante todo o ano que passou a projetos que estão engavetados e que se tivessem sido priorizados talvez hoje estivessem materializados, recomeçam relações cortadas ao longo do tempo e que contribuíram para atrapalhar a paz enquanto se pensava nos projetos a serem realizados, em muitos casos o recomeço se dá pela dor causada por incêndios que devastaram favelas e junto com o fogo e as cinzas se foram sonhos de muitos anos, tantos outros tentam encontrar coragem para entender tragédias que levaram embora familiares e amigos, a pior de todas registrada no Brasil em São Paulo em uma chacina e no Norte do nosso país rebelião já no comecinho do ano, na Turquia no final do ano anterior em mais um atentado que matou dezenas, e no Mediterrâneo nos primeiros dias por pouco mais de cem não morrem por conta de salvamento feito pela Itália.
A verdade é que estamos sempre em recomeços, mas as surpresas do tempo em vários casos não nos deixam outra opção que não seja a mudança de rumo, e esse recomeçar pode ser marcado pela desistência, por nos sentirmos fracos em relação às injustiças do mundo, pela covardia de poderosos que não ligam para o que há fora da sombra onde eles se deliciam muitas vezes com a riqueza produzida pelo nosso suor, sangue e lágrimas, pelos milhares de brasileirinhos que já nascem com o futuro comprometido, e pelos refugiados que vagam sem um lugar para chamar de seu. Os desafios são cada vez maiores, do local para o regional e o global as relações se tornam muito densas e a capacidade de soluções diplomáticas vai se esvaindo pelo mundo e trazendo más notícias nos nossos meios de comunicação.

No entanto já estivemos em situações muito piores, para aqueles que vivem a anunciar que estamos na pior fase da humanidade, buscar conhecer o passado ajuda a fazer lembrar que no Brasil há algum tempo atrás comprávamos um ser humano em praça pública como se compra uma cabra na feira livre, em Roma homens lutavam até a morte enquanto o povo se divertia e fazia de conta que a desgraça do império não existia, na idade média milhões foram queimados em nome de Deus e mulheres e crianças eram tratadas como seres inferiores, reis eram o poder acima de tudo e o povo passava fome e frio enquanto eles se banqueteavam nos palácios. É preciso recomeçar, para que não percamos a nossa capacidade de vislumbrar o futuro com olhos de águia, vendo muito além daqueles que não conseguem ver além do próprio nariz. Como disse o grande mestre Rubem “A esperança é uma droga alucinógena.” Fiquemos possuídos por essa droga, mas com ação a fim de não ficarmos esperando cair do céu. No mais fica o dito para ser reescrito e ponto final.

0 comentários:

Postar um comentário