10 de março de 2017

EU QUERO. VOCÊ ME DÁ?

Querer não é poder, até parece que não entendemos esse termo. Se tudo que quiséssemos pudéssemos fazer, tudo seria mais fácil e mais difícil ao mesmo tempo. Se todos que desejassem obter um automóvel, pudessem realizar todos ao mesmo tempo esse desejo, o mundo não teria espaço para tantos automóveis. Se assim fosse com geladeiras, aparelhos de tevê e um monte de outros apetrechos, precisaríamos de pelo menos mais cinco planetas terra para dar conta da demanda.

No entanto, na sociedade em que estamos inseridos, ultimamente estão transformando desejos em direitos, portanto, se desejo ligar o meu som na altura que me apraz independente do horário e do lugar, assim eu faço. Se quero ir ao meu destino mais rápido e o sinal fecha, desrespeito em favor da minha pressa e sigo. Quero, logo posso. É a moda agora.
Mas afinal de contas, onde está a raiz desse problema? De acordo com pesquisas ainda “não divulgadas”, boa parte dela está na permissividade excessiva dos pais, ou seja, se o filho pede, ele prontamente atende, para não causar um trauma naquele que solicita. Hoje é comum a geração dos pais obedecer a geração dos filhos, quando deveria ser o contrário, pais que perdem a autoridade (não é o mesmo que autoritarismo) sem perceber que no mimo dado ao filho sequestram parte do futuro do mesmo também  sem perceber que com isso enfraquecem os jovens ao invés de dar-lhes novas possibilidades de crescimento.
Sem cair aqui no saudosismo piegas do tipo: no meu tempo tudo era melhor. Preferimos dizer que algo está faltando nos tempos de hoje, quem já viu filhos escolhendo onde vai estudar e ainda impondo aos pais um choro malicioso daquele que diz se você não me mudar de escola não vou para a que estou. Quem já viu filhos pequenos fazendo birra por que o sabor do suco (quando eles não exigem beber um produto que serve para limpar privadas) não é o preferido e se não tiver o preferido não vai comer direitinho? E os pais, permissivos, vão cedendo a esses e outros pedidos sem pé nem cabeça só para não macular o sentimento dos “bichinhos”. Muito bem rotula Luiz F. Pondé quando os classifica de geração mimimi. No entanto, a principal culpa não está na geração deles, está na geração anterior que não sabe mais o sentido de uma sociedade organizada de forma normativa e democrática e assim vão formando seres cada vez mais frágeis, mas sempre com um sorriso por terem seus pedidos atendidos. No mais, fica o dito para ser reescrito e ponto final.

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