6 de maio de 2017

VIVA! MARCELO TORRES!

A morte é cotidiana e não percebemos o quanto ela nos atinge todos os dias, ficamos mais idosos e à medida que isso ocorre vamos sentido a presença cada vez mais próxima do fim da nossa história nesse mundo de provas e expiações, nosso corpo já não responde com tanto fervor aquilo que desejamos e os fios de cabelo mudam de cor por vontade própria, no entanto, vamos entendendo que somos seres finitos e como tal é preciso viver de maneira plena o tempo que temos nesse primeiro estágio, em outras palavras viver é ao mesmo tempo viver e morrer, o novo e velho convivem e em alguns momentos se desentendem, pois não queremos aceitar as novas características que o tempo nos traz, mas no fim das contas vamos naturalizando essa ideia de que um dia partiremos para um novo andar.
O que não vamos naturalizar em nenhum momento da nossa breve existência é quando o fim da nossa história é marcado por violência, desumanidade, indiferença, desrespeito e toda uma gama de adjetivos que podem ser atribuídos à morte que chega pelas mãos de um ser humano que é detentor do mesmo sopro de vida dado aquele que ele matou. Isso é de uma selvageria tamanha, que embora nossa sociedade “moderna” aceite corpos estendidos no chão como algo cotidiano e que não causa mais espanto, temos ainda pessoas que acreditam que em um mundo onde a guerra prevalece a paz pode também prevalecer.
Sem mais delongas, que Deus receba com cânticos o pai, filho, irmão, músico, trabalhador, jovem sonhador e alegre Marcelo Torres (dentinho), quando a morte chega como chegou para esse jovem não morre apenas uma pessoa, morre parte de pai, mãe, esposa, filhos, amigos, agremiações musicais e também morre parte da esperança que ainda resta da sociedade em que ele vivia. Santa Cruz terra tão linda, debaixo de um céu de anil que chorou junto com aqueles que choravam no trajeto até o cemitério, Santa Cruz das bandas marciais e fanfarras que dá adeus a um de seus componentes, Santa Cruz do Capibaribe, maio de dois mil e dezessete, mês e ano inesquecíveis, pelo menos para aqueles que tiveram a chance de passar alguns minutos ao lado de Marcelo Dentinho. No mais fica o dito para ser reescrito e ponto final.

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